Sobre a Obra

Moisés elevando a serpente de bronze (Números 21:5-9)

  • Artista: Speckaert, Hans
    Nacionalidade Flamenca
    (Bélgica, Bruselas, 1540 – Italia, Roma, c. 1577)
  • Origem: Pérez de Mendoza, José
  • Gênero: religioso, bíblico
  • Suporte: Sobre tela
  • Dimensões: 159 x 239 cm. - Marco: 174,7 x 236,4 cm.
  • Localização: Salão 5 - Manierismo y Barroco
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Moisés elevando a serpente de bronze (Números 21:5-9) Ampliar
Inventário 2895

Comentário sobre Moisés elevando a serpente de bronze (Números 21:5-9)

​ Na vida de Adriaen de Weerdt, “pintor de Bruxelas”, Karel van Mander (Schilderboeck, 1604) menciona “um excelente e virtuoso jovem professor, Hans Speckaert, que pintava y desenhava muito bem” a quem conheceu em seus dias em Roma, e agrega que desde Florência “preparou a viagem de retorno aos Países Baixos, mas teve que voltar imediatamente a Roma, onde morreu em 1577; original de Bruxelas era filho de um bordador”. A informação sobre o artista é escassa, mas sabemos que foi influenciado por artistas flamencos como Hans von Aachen y Jan Soens, y por Rafael, Miguel Ángel, Polidoro da Caravaggio (1490/1500-1543?), Parmigianino (1503-1540), também os bolonheses Prospero Fontana (1512-1597), Bartolomeo Passarotti (1529-1592) e Lorenzo Sabatini (ca. 1530-1576) durante sua estadia em Florência e em Roma, que já no século XVI era uma meca para os artistas do norte da Europa. A partir desta experiência modelou seu estilo, que comparte os princípios maneiristas imperantes não somente na Itália se não também no norte de onde era originário.
Nossa obra mostra essas características e se distingue pela composição que favorece um primeiro plano ocupado por figuras nuas e um segundo plano distante onde aparece seu motivo temático principal. As figuras aparecem organizadas como em um friso que somente quebra dois personagens que se veem, à esquerda; surpreendem por seus corpos musculosos, com cabeças pequenas e membros alargados, que se contorcionam em poses rebuscadas motivadas pelas necessidades de liberar-se das serpentes que caem do céu. Os movimentos e gestos exagerados se expressam em vistosos e virtuosos escorços que se distribuem em uma composição espacial caracterizada pelo grande vazio que se criou entre o primeiro e segundo plano onde aparecem empequenecidos Moisés junto à serpente de bronze e outros personagens atacados pelas serpentes. Estas características, as que se somam um delicado uso da cor, conformam um produto típico do maneirismo romano da segunda metade do século XVI. Nas figuras pode-se ver imediatamente a influencia do Laocoonte, grupo escultórico que se converteu em um ponto de referencia para muitos artistas. Sylvie Béguin, que estudou a obra e propões a atribuição a Speckaert (1) há sinalado como “a figura estendida do centro, com seu rosto virado para trás, lembra ao filho mais jovem de Laocoonte, assim como a figura feminina da extrema direita (mas desta vez visto de costas...). A segunda figura masculina da esquerda foi, sem duvida, inspirada pelo mesmo Laocoonte. Para Speckaert não se trata jamais de uma copia textual se não de lembranças, usados com grande força de expressão e uma viva preocupação pela ordenação decorativa de ritmos”. Mas também se pode destacar a influencia de Miguel Ángel a partir das figuras de sua Batalha de Cascina e sobre tudo da cúpula que com o mesmo tema havia pintado na Capela Sextina.
A atribuição de Béguin foi realizada em base a uma serie de desenhos identificados com o artista que achou no Kunstmuseum de Düsseldorf, especialmente um (2) que se vincula claramente com esta composição. Legada por José Pérez Mendoza, a obra ingressou em 1937 como anónima e com o estranho título de O castigo da nudez. Em relação ao assunto não fica nenhuma duvida de que se trata do episódio da serpente de bronze (Números 21, 5-9) que se vê no segundo plano. Béguin também localiza a obra em torno de 1575. Devemos dizer que em 1995 Jacques Foucart manifestou-se em contra dessa atribuição, mas, pelo o que sabemos, não produziu nenhuma diferente até o momento.Ángel M. Navarro

Nota de rodapé

1— Alegret, que havia atribuído a obra a um artista do círculo dos Zuccari, publicou a nova atribuição de Béguin (Alegret, 1980).
2— Pluma e aguada marrom com realces de branco, sobre papel verde, 22 x 42,8 cm, cat. 1930 (por Illa Bude), nº 790, il. 152.

Bibliografia

1973. BÉGUIN, Sylvie, “Pour Speckaert” e: Album Amicorum J. G. van Gelder. The Hague, Nijhoff, p. 9-13, fig. 12.
1980. ALEGRET, Celia, “Um quadro de Hans Speckaert”, Horizontes, Buenos Aires, vol. 3, nº 7, maio-junho, p. 4-7, fig. 1.
1985. BOSQUE, Andrée de, Mythologie et Maniérisme. Paris, A. Michel, p. 62. 1990. DACOS, Nicole, “Un élève de Peeter de Kempereer, Hans Speckaert”, Prospettiva, Firenze, vol. 57-60, p. 87.
1994. NAVARRO, Ángel M., A pintura holandesa e flamenca (século XVI ao XVIII) no Museu Nacional de Belas Artes de Buenos Aires. Buenos Aires, Associação Amigos do MNBA, p. 81-84, reprod. color p. 83.
1995. FOUCART, Jacques, Fiamminghi a Roma, 1508-1608, cat. exp. Bruxelles, Snoeck-Ducaju & Zoon, p. 261, 265 y 267- 269, reprod. color p. 268 (como seguidor de Hans Speckaert?).
2001. NAVARRO, Ángel M., Maestros flamencos y holandeses (século XVI ao XVIII) no Museu Nacional de Belas Artes de Buenos Aires. Buenos Aires, Associação Amigos do MNBA, p. 82-84, reprod. color p. 82. — NAVARRO, Ángel M., Flemish and Dutch Masters (from the XVIth to the XVIIIth century) at the National Museum of Fine Arts. Buenos Aires, Associação Amigos do MNBA, p. 82-84, reprod. color p. 82.