Sobre a Obra

Um alto no campo (Un alto en el campo)

  • Artista: Pueyrredón, Prilidiano
    Nacionalidade Argentina
    (Argentina,Buenos Aires, 1823 – Argentina, Buenos Aires, 1870)
  • Data: 1861
  • Origem: López, Alberto V.
  • Gênero: pasagem, costumes
  • Suporte: Sobre tela
  • Dimensões: 75,5 x 166,5 cm.
  • Localização: Salão 22 - Arte argentino del Siglo XIX
Voltar

Compartilhar

Um alto no campo (Un alto en el campo) Ampliar
Inventário 3187

Comentário sobre Um alto no campo (Un alto en el campo)

La Tribuna, em uma nota provavelmente escrita por Miguel Cané pai, comentou a pintura Un alto en el campo sob o certeiro título La paz en el rancho: “portenhos legítimos nascidos e criados nas Lomas de Morón, nas proximidades de Buenos Aires, antes que as diligencias, os ônibus e os caminhos de ferro houvessem chegado a despoetizar nossos subúrbios” (1). No mesmo sentido agregou “cada personagem, crianças, velhos, mulheres, todos, sem monotonia, nem esforço estão marcados pelo duplo selo da semelhança da família e da raça”. Deste modo a tela de Prilidiano Pueyrredón, obra emblemática da arte argentina do século XIX, já em seu tempo foi apontada como uma representação indenitária: o adjetivo legítimo anuncia sua antónimo, mais quando no paragrafo se mencionam as consequências do progresso: a imigração, iniciada nesses anos, alterava essa semelhança de família e raça. A partir dessa leitura, a obra se inserta em um assunto presente na produção do artista: a mudança social produzida pela imigração (por exemplo, nas pinturas de 1865, El naranjero e Esquina porteña, ambas em coleções privadas).

O formato oblongo, de uso habitual na pintura regional, de Un alto en el campo permitiu ao artista somar relatos anedóticos menores em torno de dois elementos típicos que equilibram a composição, marcada pela forte diagonal do caminho: a carreta e o ombú. Pueyrredón realizou um compendio de motivos estabelecidos para a representação da campanha rural desde os anos quarenta, difundidos pelos albumes litográficos: o caminho de carretas, a família rural, o galanteio amoroso, o gaúcho em traje do povo, a rancheira com ombú, o servir do mate pela a paisana, o encontro de paisanos a cavalo (2). Talvez, esta excessiva coleção de costumes locais e registro de sua vestimenta diversa em uma mesma tela foram devido a que estavam destinadas a “adornar os salões de uma família endinheirada da Inglaterra”, segundo adverte a mencionada crónica de La Tribuna. As qualidades distintivas de Pueyrredón no domínio da pintura naturalista se afirmam em uma pincelada com escassa matéria pictórica, no uso convencional da cor e na firmeza para a resolução das figuras em conjuntos harmoniosamente relacionados.

El rodeo (inv. 3189, MNBA) forma com Un alto en el campo um par narrativo do mundo rural: o trabalho e o ócio. O grupo principal da primeira tela, deslocado a esquerda, está integrado por três figuras e seus cavalos de variada pelagem: o proprietário, o capataz e o peão rural. É a representação de uma ordem rural que, ausente de conflitos, permite “a paz nos ranchos” da segunda pintura. Ambas as obras sugerem um passado recente, por exemplo, o aparte bovino era uma prática tradicional quando o avance da revolução da lã já havia modificado a produção rural de Buenos Aires; da mesma maneira era a cena “poética” da sociabilidade campestre. É factível pensar que Pueyrredón representou o fim das guerras civis da etapa federal - resultado daquela pax rosista descrita por Domingo F. Sarmiento–.

La pintura representa um mundo rural perdido pelo avance de a modernização em palavras de La Tribuna, “Os antigos usos e costumes de nossa campanha desaparecem de dia em dia”. Esta mensagem moralizadora se encontra acorde com o género de costumes rurais, mais ainda quando se representavam seus aspectos históricos. Pueyrredón foi ideologicamente um homem de Buenos Aires, ativo politicamente durante a autonomia proestatal apenas chegado a Buenos Aires em 1854. Mais ainda, no mesmo ano de 1861, realizou o retrato de Bernardino Rivadavia, um de seus escassos retratos históricos, e no ano seguinte o rascunho para sua única tentativa de uma pintura de historia: Solemne Juramento de la Bandera Argentina por el ejército del Gral. Belgrano (atualmente no Complexo Museógrafo Enrique Udaondo, Luján). Tanto Rivadavia como Belgrano eram heróis fundados em discursos liberais do Estado de Buenos Aires e, particularmente, do trabalho historiográfico de Bartolomé Mitre. Digamos que a representação do passado é uma forte motivação nestes primeiros anos da década de 1860, que atravessa os distintos géneros pictóricos: de costume, retrato e pintura da historia.
Assim, Un alto en el campo é a cabeça de uma longa série de pinturas de costumes rurais na arte argentina, que se adentra no passado século, cujo fim foi advertir que a nação moderna possui no mundo rural o reservatório de uma imaginada identidade argentina.Roberto Amigo

Nota de rodapé

1— La Tribuna, Buenos Aires, sete de agosto de 1861.
2 — A aquarela Un domingo en los alrededores de San Isidro (inv. 3165, MNBA) é uma variação de Un alto en el campo com menos elementos, o que permite uma maior presença da paisagem, deste modo se aproxima as pinturas de paisagem da ribeira portenha e da pampa.

Bibliografia

1936. DA ROCHA, Augusto, “Um século de arte na Argentina”, Revista de Arte, Buenos Aires, a. 2, nº 11, reprod. p. 1.
1937. PAGANO, José León, El arte de los argentinos. Buenos Aires, edição do autor, t. 1, reprod. p. 219.
1942. ROMERO BREST, Jorge, Prilidiano Pueyrredón. Buenos Aires, Losada, p. 10, 19, 23-24, il. 8.
1944. D’ONOFRIO, Arminda, La época y el arte de Prilidiano Pueyrredón. Buenos Aires, Sudamericana, il. 11.
1945. PAGANO, José León, Prilidiano Pueyrredón. Buenos Aires, Academia Nacional de Belas Artes, p. 87-88, reprod. color nº 124.
1965. BRUGHETTI, Romualdo, Historia del arte en la Argentina. México DF, Pormaca, p. 29.
1966. ROMERO BREST, Jorge, “Prilidiano Pueyrredón” en: AA.VV., Argentina en el arte. Buenos Aires, Viscontea, p. 27, reprod. color p. 24-25.
1968. GESUALDO, Vicente, Enciclopedia del arte en América. Buenos Aires, Bibliográfica Omeba, t. 1, p. 56.
1978. PAYRÓ, Julio E., 23 pintores de la Argentina 1810-1900. Buenos Aires, Eudeba, reprod. color p. 43.
1984. RIBERA, Adolfo Luis, “A pintura” en: AA.VV., Historia general del arte en la Argentina. Buenos Aires, Academia Nacional de Belas Artes, vol. 3, p. 329-330, reprod. p. 329.
1989. CATLIN, Stanton L., “Traveler- Reporter artists and the empirical tradition in post-independence Latin American Art” en: Dawn Ades, Art in Latin America. New Haven/London, Yale University Press, p. 54, reprod.
1991. BRUGHETTI, Romualdo, Nueva historia de la pintura y la escultura en la Argentina. Buenos Aires, Gaglianone, p. 38.
1994. Momentos de P.P.P. Buenos Aires, Americana de Publicações, reprod. color p. 8.
1999. LUNA, Félix; Roberto Amigo e Patricia Laura Giunta, Prilidiano Pueyrredón. Buenos Aires, Banco Velox, p. 51, reprod. color p. 40-49. — MUNILLA LACASA, María Lía, “Siglo XIX: 1810-1870” em: José Emilio Burucúa (dir.), Nueva historia argentina. Arte, sociedad y política. Buenos Aires, Sudamericana, vol. 1, p. 145-146.
2001. DUJOVNE ORTIZ, Alicia, “Em busca da intimidade” em: AA.VV., Pintura argentina. Panorama del período 1810-2000. Buenos Aires, Banco Velox, vol. 2, p. 5, reprod. color portada. — BARNITZ, Jacqueline, Twentieth-century Art of Latin America. Austin, University of Texas Press, fig. 4.
2005. LÓPEZ ANAYA, Jorge, Arte argentino. Cuatro siglos de historia (1600-2000). Buenos Aires, Emecé, p. 73.