Sobre a Obra

Figura reclinada, formas externas

  • Artista: Moore, Henry
    Nacionalidade Inglesa
    (Inglaterra, Castleford, 1898 – Inglaterra, Much Hadham, 1986)
  • Data: 1953-1954
  • Origem: Torcuato Di Tella (Fundação e Instituto), 1971
  • Gênero: posguerra, figura
  • Suporte: bronze
  • Dimensões: 80 x 210 x 104 cm.
  • Localização: Salão 34 - Arte latinoamericano 1945 - 1970 - El arte de posguerra I: la nueva hegemonía
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Figura reclinada, formas externas Ampliar
Inventário 7973

Comentário sobre Figura reclinada, formas externas

A primeira metade dos anos 50 foi extremadamente importante no amadurecimento do estilo de Henry Moore. A força expressiva que alcançou é evidente em suas Figuras reclinadas, formas externas, desse período. Toda sua obra transita uma sensualidade e uma vitalidade nas formas derivadas do uso de linhas orgânicas, onduladas. Moore defendia a talha direta e promoveu uma ideologia de “sinceridade com os mortais”. Sua preocupação não era a perfeição das formas humanas, se não mais bem o capturar da energia intrínseca da matéria e criar uma conexão fluida entre a forma e o espaço.
Figura reclinada, formas externas, fundida em bronze, incorpora os elementos principais da obra escultural de Moore (1). Este trabalho é emblemático em quanto ao abandono da frontalidade em favor de uma plena tridimensionalidade. O interesse do artista na criação do espaço o levou a incorporação de buracos que o permitiam enfatizar a tridimensionalidade de suas formas, perfurando o bloque de lado a lado e dando ao público a possibilidade de observar todas as caras do objeto. A ondulação das formas lembra a de colinas e covas. Através da evocação da paisagem, Moore é fiel, não somente a tradição paisagística britânica, si não também a seu interesse pela arte antiga.
O tema da peça do Museu é o mais representativo da obra escultural de Moore, a figura reclinada (2). Moore observou: “Desde o principio a figura reclinada foi o tema de maior importância para mim. A primeira que fiz foi em 1924, e desde então, provavelmente, mais da metade de minhas esculturas hão sido figuras reclinadas” (3) O artista se sentiu atraído por este tema sobre tudo por sua estabilidade inerente. Uma figura reclinada podia encontrar seu equilíbrio sobre qualquer superfície. Também, reconheceu o potencial expressivo da figura feminina reclinada (4).
Moore era o sétimo de oito filhos nascidos em um povoado mineiro, em Yorkshire. Trabalho por um breve período como mestre suplente antes de enrolar-se no exército a idade de 18 anos. Em Londres, onde recebeu seu internamento, encontrou grande inspiração nas esculturas não ocidental que descobriu no Museu Britânico. Durante a guerra, Moore fez base em França e participou na batalha de Cambrai, em que sofreu um ataque com gás-mostarda que pões fim a sua carreira militar. Depois de sua convalescência, regressou a Castleford e o ensino. Enquanto trabalha lhe foi outorgado, em seu carácter de veterano, um subsidia para assistir a Escola de Arte de Leeds. Graças a uma bolça, ao segundo ano deixou Leeds para assistir ao Royal College of Arts, em Londres. Ainda que tivesse o apoio de alguns membros da equipe docente, a crítica negativa generalizada a seu trabalho fez que deixasse o Royal College pela Escola de Arte de Chelsea.
Moore é mencionado com frequência como o escultor britânico mais importante do século XX. É conhecido como um escultor vanguardista, surrealista, abstrato. Sua abstração biomórfica compreende também impulsos surrealistas e modernistas. Compartiu o interesse dos surrealistas pelas culturas antigas e não ocidentais e se inspirou nas formas egípcias, gregas, astecas, africanas e da Oceania. Sua aposta pelo talhado direto conecta sua obra com a de outros escultores modernos como Constantin Brancusi, Henry Guadier-Brezska e Amedeo Modigliani. Talvez seja melhor avaliar a Moore de acordo com os comentários que ele mesmo fez de sua própria obra. Em uma entrada de seu jornal no qual discute a beleza de uma cabeça da XVIII dinastia egípcia, escreveu: “Daria tudo por conseguir em minhas esculturas o mesmo nível de humanidade, seriedade, nobreza e experiência, aceitação da vida, distinção e aristocracia. Sem esquemas, sem aceitação, sem timidez, olhando diretamente para frente, imóvel, mas mais vivo que uma pessoa real. O grande conflito permanente (para mim) é combinar as formas esculturais (PODER) com a sensibilidade humana e o significado. Tratar de manter o Poder Primitivo, junto com o conteúdo humanista. Não preocupar-me em confrontar a escultura em mármore ou o modelado em bronze, versus o gesso, a soldadura, etc. Se não em encontrar a essência comum em qualquer classe de escultura” (5).Abigail Winograd

Nota de rodapé

1— Moore fez seis Figuras reclinadas, formas externas. De acordo com seu catálogo fundamentado, as outras cinco estão nas seguintes coleções: The Art Institute of Chicago; Toledo Museum of Art; Museum of Fine Arts, Richmond; Universidad de Friburgo e Galleria Nazionale d’Arte Moderna, Roma.
2— Neste catálogo de 1984 que acompanhou a mostra Henry Moore: the reclining figure, Steven Rosen aclara que Moore se ocupou do assunto em aproximadamente um tercio de sua produção. O autor sustentou, em uma resenha sobre sua obra completa, que Moore reproduziu 252 vezes o tema da figura reclinada.
3— Henry Moore citado em: Henry Moore: the reclining figure, 1984, p. 28.
4— A maioria das figuras reclinadas de Moore foram mulheres nuas. Moore considerava a forma feminina, nua, como a base de sua obra. Ver: Steven W. Rosen en: Henry Moore: the reclining figure, 1984, p. 13.
5— Henry Moore em: Hedgecoe, 1998, p. 12.

Bibliografia

1955. Henry Moore: Sculpture and Drawings 1949-1954. London, Lund/Humphries, p. XXVI, figs. 28 a-e.
1960. GROHMANN, Will, Henry Moore. Berlin, Rembrandt Verlag, p. 54, figs. 47-48.
1961. Henry Moore. Paris, Musee Rodin, n. 29.
1968. RUSSELL, John, Henry Moore. New York, Putnam, p. 121, fig. 122. — SYLVESTER, David, Henry Moore. New York, F. A. Praeger, p. 85, fig. 73.
1970. MELVILLE, Robert, Henry Moore: Sculpture and Drawings 1921-1969. New York, H. N. Abrams, figs. 480-481.
1971. ARGAN, Giulio Carlo, Henry Moore. New York, H. N. Abrams, fig. 119. — FEZZI, Elda, Henry Moore. London/New York/Sydney/Toronto, Hamlyn, p. 41, fig. 16.
1976. FINN, David, Henry Moore: Sculpture and Environment. New York, H. N. Abrams, p. 126-129.
1979. CARANDENTE, Giovanni, Moore e Firenze. Firenze, Il bisonte/E. Vallecchi, n. 84.
1981. MITCHINSON, David (ed.), Henry Moore Sculpture. New York, Rizzoli, p. 118, 311, figs. 235-237.
1984. Henry Moore: the reclining figure. Columbus, Columbus Museum of Art.
1997. Henry Moore: hacia el futuro, cat. exp. Buenos Aires, MNBA, reprod. color p. 16.
1998. HEDGECOE, John, A monumental vision: the sculpture of Henry Moore. New York, Collins & Brown, p. 99, 214. — MITCHINSON, David, Celebrating Moore: Works from the collection of The Henry Moore Foundation. London, University of California Press, p. 15, 62.
2008. LICHTENSTEIN, Christa, Henry Moore Work-Theory-Impact. London, Royal Academy of Arts, p. 63, 271, 367, 414, figs. 308, 420.