Sobre a Obra

Diana e suas ninfas indo à caça

  • Artista: Lanen, Jasper van der
    Nacionalidade Belga
    (Bélgica, Amberes, c. 1585 – después de 1634)
  • Data: Século XVII
  • Origem: Legado, Tempel de Bennewitz, Margarita Paulina Anna Minna. 1988
  • Gênero: paisagem, mitológico
  • Suporte: Sobre tabla
  • Dimensões: 83 x 118 cm.
  • Localização: Salão 4 - Pintura holandesa y flamenca del siglo XVII
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Diana e suas ninfas indo à caça Ampliar
Inventário 8930

Comentário sobre Diana e suas ninfas indo à caça

Esta paisagem onde vemos a Diana e suas ninfas indo à caça ingressou ao Museu como obra de Jan Brueghel I (1568-1625), chamado de Velours (veludo), artista bem conhecido por seus bodegões e paisagens que atuou em Antuérpia. Mas em nossos catálogos fundamentado em1994 o atribuímos a Jasper van der Lanen, um pintor ao qual, por esse então, se lhe acreditavam com certeza quatro obras. A nossa foi uma das que contribui ao melhor conhecimento do artista e ao crescimento que o catálogo de suas obras sofreu nos últimos anos.
Tematicamente, os trabalhos que ele conheceu inscrevem-se exclusivamente no género da paisagem no que a influencia de Gillis van Coninxloo (1544-1607) foi muito importante, mas em âmbitos como a Antuérpia, também se deve somar a que as influencias de Jan e Pieter Brueghel II, os quais afirmaram as grandes linhas da pintura paisagista de fins do século XVI e princípios do XVII. Estes artistas aplicaram uma fórmula tradicional proveniente do século XVI que divide a paisagem em três planos sucessivos diferenciados pela cor que recebem: terras e ocres o primeiro, diferentes tons de verde para o plano médio e tons de azul para o último, o do fundo. Mas a hão enriquecido com a geração de profundas penetrações visuais que vão desde o primeiro plano até o último, dinamizando assim a composição da paisagem.
Ali, em uma superfície cuja proporção é mais larga que alta - muito mais larga que a de Diana– Van der Lanen há produzido um grande panorama que se armou de modo similar, variando a conformação de alguns elementos. Em primeiro lugar o bosquinho de faias no sector central não se mostra de modo fragmentário se não com as árvores completas, conformando claramente uma medalha. Repete-se o caminho à direita onde se localizam a filha do faraó e seu séquito e à esquerda o rio com a aldeia na ribeira oposta. Aparece ali também uma aldeia com uma casa campesina quase idêntica a da nossa pintura, ainda que rodeada por altas árvores. Também, no primer plano encontramos o tema da árvore com seu tronco quebrado e a arbusto de juncos, canas e outras plantas típicas dos bordes fluviais. Evidentemente, Jasper van der Lanen utilizou esta composição em varias oportunidades, variando os elementos segundo as necessidades que o proporcionam as dimensões sobre as que pinta ou possivelmente por alguma circunstancia especial que nós ainda não temos identificado. Podemos dizer que esta repetição está mostrando o êxito que suas pinturas devem haver tido.
Em quanto às figuras que aparecem em nossa paisagem, sabemos que foram realizadas por mão diferente. No caso de outras obras de Van der Lanen, se há dito que provavelmente foram pintadas por Frans Franken II,4 possibilidade que também havíamos embaralhado para nossa obra. Frente à obra del Hermitage encontramos grande afinidade nas formas anatómicas assim como no uso de cores similares para as roupas, o que nos faz pensar em um mesmo autor, possibilidade que deve ser confrontada mais profundamente.Ángel M. Navarro

Nota de rodapé

1— Ver: Le Siècle de Rubens, cat. exp. Bruxelles, 1965, p. 98.
2— Madeira de 78,7 x 106,6 cm, Galería Sanct Lucas, Viena (em 1988). Ver: L. Dubiez, “Een ander werk van Jasper van der Lanen”, Oud Holland, Leiden, nº 65, 1950, p. 120 y ss.
3— Tela de 103 x 202 cm, restos de assinatura de baixo ao centro “(VL)” Agradeço esta informação a Charles Dumas.
4— Por exemplo, em Paisagem com Balão e o asno (1624) y Paisagem com Tobias e o Anjo Ver: Ursula Harting, Frans Franken der Jungere (1581-1642). Freren, Luca, 1989, p. 241; L. Burchard, “Jasper van der Lanen. His only known work?”, The Burlington Magazine, London, vol. 90, nº 545, agosto de 1948. L. Dubiez, op. cit.

Bibliografia

1994. NAVARRO, Ángel M., A pintura holandesa e flamenca (século XVI ao XVIII) no Museu Nacional de Belas Artes de Buenos Aires. Buenos Aires, Associação Amigos do MNBA, p. 52-55, reprod. color p. 53.
2001. NAVARRO, Ángel M., Mestres flamencos e holandeses (século XVI ao XVIII) no Museu Nacional de Belas Artes de Buenos Aires. Buenos Aires, Associação Amigos do MNBA, p. 55-57, reprod. color. — NAVARRO, Ángel M., Flemish and Dutch Masters (from the XVIth to the XVIIIth century) at the National Museum of Fine Arts. Buenos Aires, Associação Amigos do MNBA, p. 55-57, reprod. color.